Linha do Tempo

No dia 9 de dezembro nasce Francisco Augusto Vieira Nunes, o futuro Bacurau.

1939 Imagem de uma estrela
1945

Contava com cinco anos de idade quando a família percebe que ele havia contraído a hanseníase

Alguns moradores de Manicoré/AM denunciam Augusto ao posto de saúde. Dias depois a polícia sanitária vai a sua casa e encontra seu pai, abraçado ao filho, armado com um facão – Só levam meu filho morto! – Não levam o pequeno Augusto. 

Aprende a ler e escrever estudando em casa com a ajuda de seus irmãos. Não conseguia matricular nas escolas por ter hanseníase. 

A polícia sanitária entra na sua casa a força e levam, por engano, o seu irmão Pedro.

1947
1948

A família vai buscar tratamento para Augusto em Porto Velho, Rondônia. 

É matriculado em uma escola de Porto Velho, mas o expulsam no primeiro dia de aula abandonando-o na porta do hospital da cidade. 

A padaria do seu pai vai à falência devido à perda de clientes em razão do medo de contágio.

Seu pai é demitido da delegacia de polícia por possuir idéias anti-getulistas e por ter um filho com hanseníase. 

Período de fome, medo e tristeza. A falta de alimentação adequada e tratamento médico precário da região levam a morte três irmãs de Bacurau: Maria Lucia, com quatro anos; Terezinha de Jesus, com seis; e Maria Eliza, ainda bebê.

1951
1952

Morre o pai de Augusto, João Monteiro Nunes. Desgastado por anos de trabalho pesado para a idade avançada e saúde frágil. 

Pregam uma placa na frente da casa de Bacurau com a palavra ETERNITET significando que aquele lar estava condenado para sempre.

É internado aos 13 anos na colônia Jayme Abenathar. 
Na colônia, Augusto recebe do seu companheiro de quarto, o apelido Bacurau.

1953
1957

Sai da colônia de Porto Velho e vai morar com o seu irmão Zuza em Rio Branco, Acre. 

Neste período tenta, sem sucesso – devido à doença –, por quase quatro anos, arrumar um emprego.

No dia 23 de junho toma a decisão de se internar na colônia Souza Araújo. Estava com 21 anos.

1961
1967

É eleito prefeito da colônia Souza Araújo e permanece no cargo por cinco anos.

Compõe a música “Lapinha na Mata”. Um cântico bastante conhecido nos rituais da igreja e que foi gravado pela editora Irmãs Paulinas. Souza Araújo.

1972
1973

Pelo projeto Minerva, do Mobral – Movimento Brasileiro de Alfabetização –, adquire seu diploma de ensino básico junto com seus próprios alunos e, no mesmo ano, inicia a sua carreira de professor contratado pela Secretaria Estadual de Educação.

No dia 20 de janeiro, sai de Souza Araújo e vai morar no conjunto Castelo Branco, em Rio Branco, com Tereza Prudêncio, que conheceu na colônia Souza Araújo.

1977
1978

Lança seu primeiro livro “À Margem da Vida: num leprosário do Acre”. 

É convidado pelo Ministério da Educação para participar da coleção “Prosadores do Mobral”.

No início do ano publica o livro “Chico Boi” pela série do Mobral e volta a Manicoré para o lançamento do livro. 

Com graves problemas em seus pés, faz cirurgia no hospital Lauro Souza Lima, em Bauru, no estado de São Paulo. 

No Lauro Souza Lima, conhece Cachoeira e Nélio Ribeiro seus futuros parceiros na fundação do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase – Morhan.

1979
1980

Redige uma carta programa para a criação de um movimento de defesa dos hansenianos.

O Morhan é fundado no dia 6 de junho. No dia 1º de julho, é realizado o primeiro encontro nacional em Bauru. A sede é instalada em uma sapataria ortopédica na cidade de São Bernardo do Campo, São Paulo.

1981
1982

Funda um núcleo do Morhan em Rio Branco e começa a viajar pelo Brasil para divulgar o movimento.

Graças ao impacto do Morhan, Bacurau é convidado a ser membro permanente do Conselho Nacional de Saúde.

1983
1986

É o candidato mais votado a deputado federal constituinte pelo PT no Acre, com cerca de 3 mil votos, mas não é eleito.

Em janeiro, a música “João Seringueiro”, de Bacurau, vence o Festival Acreano de Musica Popular – FAMP. 

Vai a Brasília, por três vezes, levar as suas propostas para a Assembléia Constituinte. Consegue influenciar a redação final do art. 3º, inciso IV da Constituição Federal ao defender a ampliação do sentido de preconceito no texto. 

Nas eleições municipais sai como candidato do PT para vereador. Novamente perde a eleição.

1988
1990

Na cidade de Savona, na Itália, Bacurau recebe o Prêmio Nacional Raoul Follereau e percorre 30 cidades italianas para proferir palestras sobre o Morhan e os problemas brasileiros. 

Ainda na Itália, é recebido pelo Partido Comunista Italiano. Em outra circunstância Bacurau encontra-se com o Papa João Paulo II e entrega-lhe um exemplar de “À Margem da Vida” e uma carta.

Começa a trabalhar como coordenador no setor de dermatologia da Secretaria Municipal de Saúde, durante o mandato de Jorge Viana na Prefeitura de Rio Branco. Fica até 1996. permanente do Conselho Nacional de Saúde.

1992
1993

No Congresso Internacional de Hanseníase, em Orlando, Flórida, nos Estados Unidos, Bacurau apresenta o artigo “Leproso: Uma Identidade Perversa”. No texto ele alerta para as formações culturais que degeneram a identidade das pessoas por conta das doenças por elas contraídas. 

Sente os primeiros sintomas da doença que iria encerrar a sua vida, o câncer.

Vai para São Bernardo confirmar o diagnóstico de câncer na cabeça. Fica em estado grave, faz quimioterapia e é submetido a uma delicada cirurgia na cabeça. 

Bacurau representa o Morhan na fundação da IDEA – Integration Dignity and Economic Advancement. 

Participa ainda do encontro nacional do Morhan, em Fortaleza, quando se despede dos companheiros de luta. 

São feitas campanhas de doação para ajudar nas altas despesas do seu tratamento.

1995
1996

Ainda se recuperando de uma cirurgia viaja para a China a convite do governo chinês. É bem recepcionado pelo público e pelos pacientes, mas se estranha com as autoridades chinesas por perceber que estavam manipulando a tradução da sua fala. 

Concede entrevista em vídeo para Abrahim Farhat. “Caboclo amazônico” se torna um verdadeiro testamento ideológico e humanitário.

Bacurau falece em sua casa no dia 12 de janeiro.

1997 Bacurau falece em sua casa no dia 12 de janeiro.