A Origem

Tempos difíceis

No período que Augusto foi tratado em Porto Velho, seu pai perdeu, gradualmente, os seus clientes da padaria. Vários vizinhos evitaram as calçadas da sua casa com medo do contágio. A padaria fechou.

Algum tempo depois da falência, João foi demitido por expor suas convicções políticas anti-getulistas e por ter um filho com hanseníase. Em 1951, os dois fatores eram motivos de perseguição.

Deste ano em diante, a fome, o medo e a tristeza marcaram João, Elvira e seus filhos. Ele, desempregado, mantinha a família com pequenos bicos. Elvira passou a lavar roupa para fora e Augusto, que já havia retornado a Manicoré, com pouco mais de dez anos, fazia da pesca uma diversão útil ao levar o que comer para a casa.

Na mesma época a família ainda precisou suportar a dor da perda de três membros. Maria Lucia, com quatro anos, Terezinha de Jesus, com seis, e Maria Eliza, ainda bebê, morreram por carência alimentar e falta de tratamento médico adequado.

João tentou não esmorecer e trabalhou duro roçando quintais pela cidade e ajudando nos desembarques do porto. Esses esforços físicos aos sessenta anos de idade, debaixo de sol e chuva, com alimentação pobre, culminaram com a sua morte em uma tarde de 1952.

A família Nunes estava ainda mais desamparada e sofrendo todos os tipos de preconceitos. O prefeito da cidade e o médico do posto de saúde impuseram uma lei para Augusto: ele estava proibido de sair de casa. Se saísse, Elvira iria para a cadeia. Pregaram uma grande placa na frente da casa com a palavra ETERNITET, significava que aquele lar estava condenado para sempre.

Elvira voltou a Porto Velho para pedir ajuda a um primo. Porém, este ganhava pouco e sustentava uma família com 8 filhos. Os parentes exigiram a internação do adolescente Augusto.

Em 1953, aos treze anos, ele seguiu para a sua reclusão. Teria que se virar sozinho na colônia de Porto Velho.

Mascara Foto do Bacarau

“(...) -Liberdade, liberdade. 
Cabeça erguida, voz, identidade;

Valeu a pena fazer a hora, 
Colher o medo o doce fruto da coragem; 
Valeu a pena escrever História 
Com mãos podadas e abrir passagem

-Liberdade, liberdade. 
Cabeça erguida, voz, identidade.”

Trecho da música “Valeu a Pena”, de Bacurau. Música feita para homenagear os 10 anos do Morhan.
Mascara slider

A Origem

A Origem

Vida nas Colônias

Vida nas Colônias

Engajamento e Militância

Engajamento e Militância

A partida

A partida