A partida

Os últimos momentos

Por volta de 1993, Bacurau começou a sentir os sintomas da doença que iria encerrar a sua vida, o câncer. Seus amigos dizem que ele via ironia nisto, pois “passou a vida toda lutando contra uma doença, mas por causa do vício do cigarro, procurou sem cessar outra”. Tereza começou a notar que quando o marido levantava de manhã, ficavam manchas de sangue na cama.

Em São Bernardo do Campo fez os exames que confirmaram o tumor na cérebro. Dois anos depois, após sessões de quimioterapia, Bacurau estava em estado grave e fez uma delicada cirurgia na cabeça.

Quando Bacurau foi à China, no mesmo ano, ainda estava recuperando da cirurgia. Ao retornar ao Brasil, participou de forma comovente do encontro nacional do Morhan, em Fortaleza. Sabia que em breve faleceria. Chegou de cadeira de rodas, frágil e com dificuldade para falar, mesmo assim foi seu o discurso de abertura. Exprimiu os ideais do movimento emocionando todos os presentes, incluindo, o ministro da Saúde da época, Adib Jatene, que foi ao encontro por respeitar e admirar a sua luta.

Após o encontro, Bacurau, enfim, volta para a casa. Mas, o sofrimento estava insuportável. É levado ao Hospital das Clínicas, em São Paulo, para uma nova e mais arriscada cirurgia. Ao abrirem o local do tumor, os cirurgiões o encontraram em tamanho avançado. Além disso, o quadro tinha evoluído para metástase no pulmão. Nada mais podia ser feito.

Ficou em coma por dez dias e, ao retornar, não reconhecia a esposa. Recuperou-se aos poucos e pediu Tereza para levá-lo a terminar a vida em casa, junto à família. Ela, então, volta com seu marido para Rio Branco, em outubro de 1996.

Bacurau passou a viver com balões de oxigênio. O custo do tratamento era alto e os amigos organizaram uma campanha de doação para ajudar a família.

Estava muito fraco, quase sem falar, até que, no dia 25 de dezembro, ele reuniu a família para se despedir. Aconselhou os filhos e perguntou para Tereza, com quem vivia há mais de vinte anos, se ela queria casar com ele. Chamaram um pároco amigo da família e ele casou deitado na cama.

Em 12 de janeiro de 1997, Bacurau faleceu em sua casa.

Mascara Foto do Bacarau

“(...) -Liberdade, liberdade. 
Cabeça erguida, voz, identidade;

Valeu a pena fazer a hora, 
Colher o medo o doce fruto da coragem; 
Valeu a pena escrever História 
Com mãos podadas e abrir passagem

-Liberdade, liberdade. 
Cabeça erguida, voz, identidade.”

Trecho da música “Valeu a Pena”, de Bacurau. Música feita para homenagear os 10 anos do Morhan.
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A Origem

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Vida nas Colônias

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Engajamento e Militância

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A partida

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