A vida nas colônias

A colônia Jayme Aben-athar

As poucas visitas que Augusto recebia de sua mãe e irmãos na colônia Jayme Aben-athar, em Porto Velho, eram feitas através de uma parede de vidro. O toque não era permitido. Augusto ficou hospedado junto a um homem de meia-idade em um quarto conjugado, como todos os pacientes da colônia.

Este homem conhecia uma anedota de Manicoré: muitos navios passavam sem parar na cidade, os tripulantes dessas embarcações gritavam do meio do rio para os moradores que eles eram um bando de bacuraus – nome de um pequeno pássaro muito freqüente na região. Essa anedota ficou popular na Amazônia e quem era de Manicoré era chamado jocosamente de “bacurau”. Todos da colônia tinham um apelido. Então, o companheiro de quarto do jovem Augusto lhe deu este. Dali em diante, somente os familiares e amigos de infância o chamavam de Augusto, pois passou a se apresentar como Bacurau.

Bacurau até que gostou da colônia de Porto Velho, mas não escondia a vontade de sair de lá. Isto aconteceu, em 1957, três anos após entrar. Ao sair, foi convidado por seu irmão Zuza para morar em Rio Branco.

Aceitou o convite e, por quatro anos, procurou um emprego para ajudar nas despesas. Conseguiu apenas alguns bicos. Tentou trabalhar na construção civil, mas quando viram sua mão foi demitido. Bateu de porta em porta atrás de serviço, roçou quintais, vendeu picolés, contudo nenhuma porta se abriu com um emprego formal.

A sua infância foi marcada por um isolamento involuntário que o obrigou a refletir muito. Já a adolescência foi marcada por perdas, que interpretou como sendo, quase todas, em razão da doença que contraíra. Concluiu que a sua única alternativa era viver na colônia Souza Araújo, em Rio Branco.

Saiu de casa cedo, desceu o rio e internou-se no dia 23 de junho de 1961, aos 21 anos.

 

 

 

 

Mascara Foto do Bacarau

“(...) -Liberdade, liberdade. 
Cabeça erguida, voz, identidade;

Valeu a pena fazer a hora, 
Colher o medo o doce fruto da coragem; 
Valeu a pena escrever História 
Com mãos podadas e abrir passagem

-Liberdade, liberdade. 
Cabeça erguida, voz, identidade.”

Trecho da música “Valeu a Pena”, de Bacurau. Música feita para homenagear os 10 anos do Morhan.
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A Origem

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Vida nas Colônias

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Engajamento e Militância

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A partida

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